A
livre orientação sexual e a identidade de gênero são um direito humano e devem
ter espaço de debate nas escolas, nas universidades e em todos os lugares. Por
isso, lutamos para construir uma universidade que discuta e incorpore toda a
diversidade sexual e de gênero. O dia 17 de maio de 2012 mostrou que isso é
capaz. A realização do I dia em combate à Homofobia na Universidade Estadual de
Santa Cruz trouxe à tona debates e discussões acerca do assunto, com direito a
mesa redonda, participação de representantes da militância LGBTTT do sul da
Bahia, questões jurídicas, palestras e uma cultural com uma banda formada só
por meninas feministas. Veja, a seguir, algumas imagens:
terça-feira, 22 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Combater a homofobia: bom para tod@s
A nossa educação por muitos
anos vem reproduzindo valores machistas, homofóbicos e racistas. A Universidade
como um dos espaços de formação educacional de indivíduos não pode mais
suportar esse tipo de modelo de educação. Hoje, mais do que nunca, existem
indivíduos organizados que reivindicam seus direitos por uma educação realmente
inclusiva.
A diversidade humana deve ser encarada como
algo positivo, pois a história nos ensina que quando se tentou negar a
diversidade pairaram-se monstros como o nazismo e o sistema escravocrata.
Pessoas LGBT(Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) existem em
todos os espaços. Ignorá-las ou desrespeita-las só contribui para estimular a
violência nas nossas escolas e Universidades e também potencializar tristes
indicadores de nossa educação(evasão escolar, bullyng, dificuldade de
aprendizagem).
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Dia de combate à Homofobia - UESC
O dia 17 de maio de
1990 foi o dia em que a Assembléia Mundial da Saúde, órgão máximo da
Organização Mundial da Saúde (OMS), retirou a homossexualidade da Classificação
Internacional de Doenças. Desde então, a data é celebrada internacionalmente
como o Dia de combate à Homofobia. No Brasil, esta data foi instituída em 2010,
a partir de um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
atendendo a reivindicações de movimentos ligados à defesa dos direitos dos
homossexuais.
Em comemoração à data, o
Centro Acadêmico de Ciências Sociais, motivado por uma idéia que surgiu na
Universidade Católica de Brasília, traz um dia temático à causa, com exibição
de filme, mesas-redondas, debates e um piquenique. Esse evento surge da
necessidade cada vez mais urgente de combater o preconceito, em suas mais
diferentes formas de manifestação e ação (homofobia, lesbofobia e transfobia)
e, assim, evitar que cada vez mais pessoas continuem sendo discriminadas e, em
muitos casos, covardemente assassinadas por causa de suas orientações sexuais
e/ou identidades de gênero.
O evento também se
propõe a relembrar o I Ato Público contra a Homofobia na UESC, ocorrido em
2011, no Bar Inferninho. Local este bastante freqüentado pela população acadêmica
e que foi palco de uma situação preconceituosa, quando dois estudantes gays ao
se beijarem foram repreendidos pelo dono do Bar sob a alegação que tal
demonstração de afeto era uma ofensa aos clientes do estabelecimento.
Programação:
(17/05/212 – 08:00 às
17:00)
08:00 – Cine-debate: Exibição
de curta metragens com temática LGBT (Sala de reuniões – DFCH)
-
Eu não quero voltar sozinho
-
Eu não gosto dos garotos
-
Delicado
-
Shame no more (Vergonha nunca mais)
-
Depois
10:00 – Palestra:
Gênero e poder (Prof. Msc. Fábio Bila)
13:30 – A discriminação
contra LGBT no sul da Bahia
15:00 – Grupo de Discussão (Coletivo Maria Quitéria)
16:30 - Piquenique pelo mesmo amor (Bosque da UESC)
15:00 – Grupo de Discussão (Coletivo Maria Quitéria)
16:30 - Piquenique pelo mesmo amor (Bosque da UESC)
Inscrição:
As inscrições podem ser feitas no período de 01 a 17 de Maio através do e-mail generoepoder@gmail.com. Basta enviar
nome completo e Instituição a qual está vinculado.
domingo, 29 de abril de 2012
Ato Público contra a Homofobia na UESC
Durante séculos, os
homossexuais foram obrigados a viver em guetos, em grupos fechados para
expressarem suas relações afetivas sem retaliações violentas e
discriminatórias. Nos últimos anos temos a sensação de que o diálogo e
discussões vêm abrindo espaço social e político para os gays, mas todos os dias
vemos a homofobia latente, gritando seus absurdos em nossa cara.
No dia 18 de março de
2011, no bar INFERNINHO, localizado em frente à Universidade Estadual de santa
Cruz (UESC), em Ilhéus – BA, dois estudantes livres e conscientes de suas
vontades e escolhas foram impedidos pelo dono do bar de trocar carinhos como
beijos e abraços, sob a alegação que por ser um casal gay estavam incomodando
os clientes do estabelecimento. Após o
ocorrido, os estudantes e seus amigos espalharam a notícia pelo campus. Indignados, marcaram então um ato público
repudiando a ação homofóbica.
A manifestação, organizada
pelo CA (Centro Acadêmico) de Ciências Sociais, aconteceu na semana seguinte e
teve apoio do Humanus, grupo de militâcia LGBT de Itabuna (BA). Com concentração dentro da Universidade, o
grupo seguiu em direção ao bar Inferninho, com cartazes, faixas e palavras de
ordem contra a homofobia. O proprietário do bar, que não teve seu nome
revelado, afirmou que tudo não passou de um mal entendido e que permite sim a
diversidade dentro do seu estabelecimento. Além disso, afirmou que o espaço
está aberto para eventos LGBT. Para os estudantes e manifestantes, o ato foi
positivo e tornou a data como o dia de combate à homofobia na UESC.
Fotos do Ato:
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Homofobia e Cidadania
Hoje
é pública a luta dos homossexuais contra as diversas formas de violências e
discriminações de que são vítimas. No entanto, diversos homossexuais, ainda,
são alvos desses atos que incidem negativamente sobre a sua cidadania. Embora a
luta dos homossexuais tenha galgado espaço público desde os anos de 1970 não
significou que os mesmos estivessem livres da opressão. Nos Estados Unidos, a
mídia juntamente com outras instituições, contribuiu para a associação da AIDS
à homossexualidade. Para reforçar esse discurso a medicina afirmou que os
homossexuais eram o principal grupo de risco. No entanto, após a luta dos
homossexuais esse estigma passou a ser questionado logo após a verificação dos
novos grupos de risco existentes e responsáveis pela disseminação da AIDS.
Dessa
forma, os avanços obtidos pelos homossexuais, principalmente nos países
desenvolvidos, foram fruto da luta por direitos, embora tais direitos ainda
sejam constantemente questionados pelos setores conservadores conforme
verificamos nos discursos divulgados no pleito das eleições para presidência do
Brasil em 2010. No Brasil os homossexuais ainda lutam por seus direitos e são
vulneráveis às diversas formas de violência. A aparente liberdade de expressão
sexual transmitida pelo carnaval esconde uma faceta ambígua da sociedade
brasileira.
O
carnaval é uma das expressões populares com maior destaque no Brasil, sendo o
símbolo cultural brasileiro mais divulgado no exterior. Essa festa transmite
para os turistas a visão de um país onde as relações sexuais e raciais são
democráticas. No carnaval os homens se travestem de mulheres e os homossexuais
são destaques nos desfiles carnavalescos. A imagem divulgada é a de que não
existe pecado ao sul do Equador. No entanto, este mito mascara uma realidade
violenta. No Brasil, segundo dados do Grupo Gay da Bahia pra 2002 foram
assassinados 126 homossexuais.
Mesmo
que homossexuais, travestis e transexuais sejam destaques sociais e admirados
nacionalmente tais como: Rogéria e Roberta Close, nenhuma família quer ter um
homossexual no seu seio. Qualquer comportamento que fuja ao modelo viril
dominante é fortemente tolhido. A admiração da homossexualidade se limita ao
outro, jamais a membros da própria família. A homofobia da sociedade brasileira
destoa da representação publicizada no carnaval. Por isso, é comum que
homossexuais sejam convidados cordialmente a se retirarem de ambientes públicos
quando demonstram qualquer comportamento de afeto para com seu companheiro ou
um amigo homossexual.
A
violência contra homossexuais vem sendo praticada desde o Brasil Colônia. Mesmo
hoje, após a luta das minorias sociais por direitos, nas últimas décadas do
século XX, eles continuam sendo vitimados. Os vitimizadores pertencem a
diferentes segmentos sociais. Alguns policiais se utilizam do seu poder para
prender travestis e homossexuais, com o intuito de espancá-los, ou de explorar
sua força de trabalho exigindo que façam faxina nas instalações da delegacia
como punição a sua sexualidade. Cabe destacar que as instituições estatais não
se empenham em elaborar políticas públicas que busquem asseguram e ampliar os
direitos das lesbicas, gays, travestis e transexuais – LGBT- que são vítimas de
múltiplas formas de violências pelo fato de sua sexualidade ser estigmatizada.
O
livro publicado pelo movimento Gay da Bahia em 2002 intitulado Matei Porque
Odeio Gay buscou expor aos estudiosos, militantes e a sociedade brasileira as
múltiplas formas de violência cometidas contra essas minorias. A partir do
final do ano de 1980 o índice de crimes contra lésbicas, homossexuais,
travestis e transexuais aumentou em cinquenta por cento (50%), se agravando na
década seguinte. Isto se deve a maior visibilidade do movimento homossexual,
alia-se a isso, a vinculação entre AIDS e homossexualidade.
Outra
forma de violência, praticada em grande escala, são as discriminações,
humilhações e violações dos direitos humanos que são realizadas por políticos,
pela mídia, pelo Estado, pelas Igrejas, por donos de estabelecimentos
comerciais, por sites da intenet dentre outros. Podemos resumir as múltiplas
formas de violência e violações dos direitos humanos contra lésbicas, gays,
travestis e transexuais expondo dados, coletados pelo Grupo Gay da Bahia
referentes ao ano de 2002:116 episódios de violação homofóbica, incluindo 9
casos de agressões e torturas, 8 casos de ameaças e golpes, 42 registros de
discriminação em órgãos e por autoridades governamentais e políticos, 8 de
discriminação econômica, contra a livre movimentação, privacidade e trabalho,
27 casos de discriminações religiosa, familiar escolar e cientifica, 24
difamações e discriminações na mídia, 12 insultos e casos de preconceito
anti-homossexual, 12 manifestações de lesbofobia e 20 travestifobia.
A
própria violência simbólica se inscreve na forma como autoridades e
personalidades do Brasil se expressam, demonstrando que a intolerância à
diversidade sexual e a homofobia estão longe de acabar conforme podemos
verificar nos depoimentos homofóbicos dos políticos e personalidades de nosso
país, como no exemplo a seguir: A proposta de liberar o estacionamento do
Parque do Ibirapuera para local de paquera gay é ridícula. "Se a Prefeita
Marta Suplicy quer um lugar para colocar a bicharada, que a coloque em um
zoológico!" Disse na ocasião o Deputado Estadual Daniel Martins, PPB/SP.
Essa declaração constitui uma forma de zombaria que tem por objetivo
ridicularizar o movimento gay. Tal fala é internalizada pelos homossexuais que
passam a considerar sua sexualidade ‘anormal’ impedindo que eles se
publicassem. Desta forma, brincadeiras e chacotas do cotidiano exercem uma
forma de poder que ridicularizam e imobilizam os homossexuais. Para finalizar
deixo um desafio: Como é possível falar em cidadania e democracia sexual em um
país onde 99% da população possui preconceito contra lésbicas, gays, travestis
e transexuais, conforme dados publicados pelo jornal o Globo no dia 08 de
fevereiro de 2009.
Em
se tratando dos direitos dos homossexuais, alguma mudança significativa ainda
está longe de ser alcançada pela sociedade, por conta da sua formação
homofóbica e sexista, aliada aos obstáculos enfrentados pelos poucos projetos
de lei que tramitam no Congresso Nacional. Com isso, a realização da cidadania
LGTB vai ficando, cada vez mais, distante do público homossexual, que tem de viver
sua identidade na marginalidade.
Por:
Fábio Bila (Professor de Ciência Política na Universidade Estadual de Santa
Cruz)
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